Gambrinus: o restaurante mais antigo do Rio Grande do Sul serve história desde 1889
Existe um restaurante no Rio Grande do Sul que já servia encontros, conversas e petiscos antes mesmo de o Brasil se tornar uma República. No coração do Mercado Público de Porto Alegre está o Gambrinus, reconhecido como o restaurante em atividade mais antigo do estado.

Tudo começou com uma confraria alemã

Quando o Gambrinus surgiu, o Mercado Público de Porto Alegre tinha apenas cerca de 20 anos de existência.
Um grupo de alemães que vivia na cidade solicitou um espaço dentro do mercado para realizar encontros e confraternizações.
Ali, os integrantes do grupo bebiam cerveja, conversavam e preparavam pequenos petiscos.
Durante muitos anos, o local funcionou principalmente como ponto de encontro da comunidade germânica.
Foi somente na década de 1930, quando uma família italiana assumiu o negócio, que o espaço começou a ganhar características mais próximas às de um restaurante aberto ao público.
Alemão, italiano e, depois, português
A história do Gambrinus também pode ser contada pelas diferentes culturas que passaram por sua cozinha.
Primeiro vieram os alemães.
Depois, os italianos.

Em 1964, o estabelecimento foi adquirido por Antônio Dias de Melo, de origem portuguesa. Posteriormente, seu irmão João Dias de Melo também passou a integrar o negócio.
A partir daí, a influência portuguesa tornou-se uma das principais marcas do restaurante.
O cardápio ganhou pratos preparados com peixes, camarões e bacalhau, além de receitas que atravessaram gerações.
Entre os destaques mais tradicionais estão o bolinho de bacalhau, o pastel de camarão, pratos com pescados e diferentes preparações inspiradas na culinária portuguesa.
Mas quem foi Gambrinus?

O próprio nome do restaurante também carrega uma história curiosa.
Gambrinus é um personagem lendário da tradição europeia, frequentemente apresentado como um rei ou patrono dos cervejeiros.
Ao longo dos séculos, sua imagem ficou fortemente associada à cerveja e às confrarias de cervejeiros, especialmente em países de tradição germânica.
Uma antiga representação do personagem faz parte da história e da identidade do restaurante, ajudando a preservar a ligação do Gambrinus com seus primeiros frequentadores.
Entre móveis, azulejos, garrafas e objetos históricos, o ambiente mantém a sensação de que cada canto guarda um pouco da memória de Porto Alegre.
Um restaurante que aprendeu a sobreviver

Chegar a mais de 130 anos de história não foi uma tarefa simples.
Ao longo de sua trajetória, o Gambrinus atravessou mudanças econômicas, transformações da cidade, incêndios, pandemia e grandes enchentes.
Em 1941, o restaurante foi atingido por uma das maiores cheias da história de Porto Alegre.
Mais de oito décadas depois, em maio de 2024, as águas voltaram a invadir o Mercado Público.
A enchente atingiu novamente o Gambrinus, causando grandes prejuízos e destruindo móveis, equipamentos e parte da estrutura do restaurante.
Durante alguns dias, o futuro do estabelecimento chegou a ficar incerto.
Mas o Gambrinus resistiu mais uma vez.
Depois de um intenso trabalho de limpeza e recuperação, o restaurante reabriu suas portas e voltou a receber moradores e turistas no Mercado Público.
Mais do que o restaurante mais antigo do Rio Grande do Sul
O Gambrinus não é importante apenas por sua idade.
Sua história mostra como a gastronomia pode ajudar a preservar a memória de uma cidade.
Por suas mesas passaram diferentes gerações de porto-alegrenses, comerciantes, turistas, trabalhadores, artistas e personagens da vida cotidiana da capital gaúcha.
Os pratos mudaram.
A cidade cresceu.
O Mercado Público enfrentou incêndios, enchentes e inúmeras transformações.
Mas o Gambrinus continuou ali.
Talvez seja esse o grande segredo de um restaurante que conseguiu atravessar três séculos: adaptar-se sem abandonar sua história.
Conhecer o Gambrinus não significa apenas provar um bolinho de bacalhau, um peixe ou um prato de frutos do mar.
Significa sentar-se à mesa com mais de 130 anos de histórias.
Onde fica o Restaurante Gambrinus?

O Gambrinus está localizado dentro do Mercado Público de Porto Alegre, um dos principais pontos históricos e gastronômicos da capital gaúcha.
Para quem gosta de turismo, gastronomia e lugares cheios de história, é uma parada que vai muito além da comida.
É uma experiência que ajuda a entender um pouco da própria história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul.
O que comer no Gambrinus? Os pratos que ajudam a contar essa história
Conhecer o Gambrinus não é apenas visitar um restaurante histórico. Parte da experiência está justamente em provar pratos que carregam a influência portuguesa construída ao longo de décadas.
O cardápio é amplo, mas alguns pedidos se destacam pela tradição e pela relação direta com a identidade da casa.
Bolinho de bacalhau: o clássico dos clássicos

Se existe um prato que praticamente virou símbolo do Gambrinus, é o bolinho de bacalhau.
É uma das entradas mais tradicionais da casa e representa bem a forte influência portuguesa do restaurante.
Crocante por fora e macio por dentro, é daqueles pedidos quase obrigatórios para quem visita o Gambrinus pela primeira vez.
Bacalhau à Gomes de Sá

Entre os pratos principais, o Bacalhau à Gomes de Sá é um dos grandes destaques.
A receita tradicional portuguesa combina bacalhau em lascas, batatas, cebolas, ovos, azeitonas e bastante azeite.
É um prato que conversa diretamente com a história do restaurante e provavelmente uma das melhores escolhas para quem quer mergulhar de verdade na proposta gastronômica da casa.
Pastel de camarão
Outro pedido bastante conhecido é o pastel de camarão.
E aqui o camarão não aparece apenas como figurante.
O recheio generoso ajudou a transformar o pastel em outra das entradas mais procuradas por quem frequenta o restaurante.
Para dividir antes do prato principal, a combinação de bolinho de bacalhau + pastel de camarão parece um ótimo começo.
Linguado ao molho de camarão

Peixes e frutos do mar ocupam boa parte do cardápio do Gambrinus.
Entre os destaques está o linguado ao molho de camarão, uma preparação bastante tradicional da casa.
O restaurante também trabalha com diferentes receitas de linguado, algumas acompanhadas de alcaparras e champignon.
Côngrio com molho de camarões
Outro peixe que aparece entre as especialidades é o côngrio.
Uma das versões encontradas no restaurante combina o peixe grelhado com molho de camarões, mantendo aquela proposta clássica de cozinha que caracteriza boa parte do cardápio.
Salmão com alcaparras e champignon

Para quem prefere salmão, outra opção tradicional é o filé de salmão acompanhado de alcaparras e champignon.
Mais uma vez, não há grandes malabarismos gastronômicos.
E talvez esteja justamente aí parte do charme do Gambrinus: comida clássica, reconhecível e preparada dentro de uma tradição construída ao longo de gerações.
Nem só de bacalhau vive o Gambrinus

Apesar da fama dos pescados e da forte influência portuguesa, o cardápio não se resume aos frutos do mar.
Também podem aparecer opções como:
entrecot;
assado de tiras;
filé à parmegiana;
tilápia;
camarão;
massas;
feijoada;
pratos do dia e outras receitas tradicionais.
Algumas preparações podem variar conforme o dia, a disponibilidade e a época do ano.
E a sobremesa?
Depois de tanto bacalhau, peixe e camarão, existe uma maneira bastante apropriada de terminar a refeição:
pastel de nata.
O clássico doce português combina perfeitamente com a história do restaurante e fecha a experiência mantendo o espírito lusitano da casa.
Se fosse a primeira visita do Despanelando...
Se tivéssemos que montar uma experiência para alguém conhecendo o Gambrinus pela primeira vez, nossa escolha seria:
Para começar: bolinho de bacalhau e pastel de camarão.
Prato principal: Bacalhau à Gomes de Sá.
Alternativa: linguado ao molho de camarão.
Sobremesa: pastel de nata.
É praticamente uma pequena viagem gastronômica a Portugal sem precisar sair do Mercado Público de Porto Alegre.
Você já conhecia essa história?
Um restaurante fundado em 1889, que atravessou gerações, mudanças culturais, enchentes e transformações profundas da cidade.
E continua servindo história.
Se você já visitou o Gambrinus, conte sua experiência.
E se ainda não conhece, talvez esteja aí mais um endereço para colocar na lista na próxima visita a Porto Alegre.
Despanelando — porque viajar também é descobrir as histórias que existem por trás de cada lugar.
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